Taipas de Pedra

Não havia taipas de pedra quando as populações indígenas circulavam pelo território atrás de recursos disponíveis estacionalmente em espaços diferentes.
Ainda não havia taipas de pedra ao tempo das vacarias, quando centenas de milhares de vacas chimarronas vagavam pelos campos sem dono, à disposição dos caçadores de couros, cebo e línguas para exportação.
A taipa de pedra marca o momento em que o homem branco toma posse do território e se assenta construindo sua casa. As taipas de pedra, que começaram a crescer ao redor da moradia e mais adiante do galpão dos peões, serviram para articular o espaço da vida e do trabalho, dando ao Homem a possibilidade de domar o mundo animal e natural. O casco da fazenda passou a se distinguir dos campos de fora, onde os animais continuavam vivendo em liberdade, perturbados somente por esporádicas inspecções. As taipas passaram a ser, então, as muralhas que isolavam e, quando preciso, defendiam o coração pulsante da fazenda.
As taipas de pedra são, hoje, a lembrança dos tempos heróicos em que os campos do sul foram dominados e incorporados à civilização.

Pedro Inácio Schmitz